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Câmara Comemora os 140 Anos de Colonização Italiana no Município

Câmara Comemora os 140 Anos de Colonização Italiana no Município
A Câmara de Vereadores realizou na Segunda-Feira, 27 de novembro, a sessão solene em comemoração aos 140 anos de Colonização Italiana no Município. O evento foi realizado no Salão Paroquial da Igreja Matriz, com a presença de todos os Vereadores, Prefeito e Vice-Prefeito e convidados especiais da região da Província de Belluno, Itália, região de onde emigraram grande parte de Italianos estabelecidos em nosso Município e parte do Município de Massaranduba, terras que até a década de 80 pertenciam a Luiz Alves, quais sejam, São José, Primeiro- Braço, Segundo- Braço e Terceiro-Braço do Norte. Entre os convidados especiais encontravam-se os italianos Walter Ongaro, Maria Fontanive, Valentino Costa e Nair Zanin e Antônio Melchioretto, Policial aposentado, descendente de Pietro Melchioretto, pai de Constante Melchioretto, primeiro Vereador da história do Município, quando Luiz Alves era Distrito de Itajaí. Segundo os historiadores, Professor e Mestre Joaquim Melchioretto, Nílton Machado e Pe. Antônio Francisco Bohn, no dia 29 de novembro de 1877 chegaram os 79 italianos na sede do núcleo colonial, no barracão que ficava numa clareira aberta na mata virgem, na confluência dos rios Luiz Alves e Serafim. Em 05 de dezembro de 1877, chegaram ao mesmo galpão mais 100 italianos. Esses se juntaram aos outros 79 e, no dia 10 de dezembro, todos foram encaminhados para o Braço Direito e o Primeiro Braço do Norte, à margem esquerda do Rio Luiz Alves. Foram muitas as dificuldades iniciais, mas os italianos seguiram o conselho que haviam recebido ao partir da Itália: " Trabalhem sempre em grupos para que possam prosperar." E assim o fizeram e prosperaram. Nosso município foi colonizado também, por outras etnias como os alemães, poloneses, franceses e açorianos, mas os italianos muito contribuíram para a nossa cultura, economia e organização das comunidades. O Município de Luiz Alves renderá sempre as homenagens a estes imigrantes que com afinco e determinação construíram, a partir da floresta inicial, o município que hoje conhecemos. Vale a pena conferir trecho de uma carta escrita por Adelmo Pasquali aos parentes na Itália, transcrita por Pe Antônio Francisco Bohn, em seu livro " Paróquia São Vicente Sua História" : "Podes te imaginar no meio de uma choupana na floresta, construída sem fundamento, só com estacas enterradas no barro e coberta com folhas de palmito, amarradas com cipó na madeira, uma ou duas janelas e piso de chão de barro. O calor é insuportável, também dentro da Choupana porque o caldeirão de ferro sobre o fogo cozinha umas socas de milho. Ao redor da choupana, a mata já foi derrubada, por isso cresce a roça de milho, mas não se consegue enxergar muito longe nos fundos e na frente do casebre, pois tudo é floresta. Uma picada conduz morro abaixo e morro acima através detoda a vegetação. A beira da rústica cama, está a mãe, com os olhos cheios de lágrimas, de dor e de saudades. Natal triste. Quem me dera poder escapar, fugir em busca de pessoas. Mas não, volto a olhar para o fogo. Meu filho faz muitas perguntas para saber se hoje é, de fato, Natal, se o menino Jesus não vai chegar... As outras crianças dormem. Ao menos estão sonhando com o Natal. Nem O Noite Feliz, que aprendemos quando crianas, terá sentido cantar nesta terra tão estranha e tão longe de tudo e de todos. Algum dia, cantarão neste lugar A Noite Feliz? Algum dia neste lugar será Natal? Um dia Jesus vai nascer?" O trecho da carta transcreve a saudade e as dificuldades enfrentadas ao chegarem nesta terra. Mas a vida, o sonho e a esperança deles não foi em vão. Fundaram, junto com outras etnias, um município que segue seu curso histórico e que está nas mãos das novas gerações para continuar a obra e concretização do que eles vieram buscar: a Paz, a Vida, o Sonho e a esperança.


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